Os perigos da Compulsão Alimentar


Como está a sua relação com os alimentos? O que você tem comido é suficiente para sua saúde e funcionamento do seu corpo? O que te falta que tem tentado compensar com a comida?

O que é uma COMPULSÃO?


Uma compulsão é um desejo emocional muito forte de fazer algo que normalmente não faria, ou seja, sua ação independe da sua vontade racional. A pessoa acaba fazendo por uma pressão interna maior que os seus pensamentos normais. É como se houvesse um vazio no peito, na alma que nunca fosse saciado.

Neurologicamente falando, a parte do cérebro responsável pela tomada de decisão consciente é o Córtex Pré-frontal. Quando uma pessoa tem essa região pouco desenvolvida, apresenta menor resistência e autocontrole para qualquer tipo de desejo que apresente, mesmo que seja prejudicial ou inadequado. Além disso, no caso de uma compulsão, quimicamente falando, no cérebro pode haver um desequilíbrio na produção de dopamina, que é o neurotransmissor que gera a sensação de realização, do prazer e da saciedade. Quando ela está em níveis regulares, a pessoa vai sentir prazer de forma saudável no momento “certo”. Porém, se há algum desequilíbrio, é como se a pessoa não se sentisse satisfeita e continua buscando o objeto da compulsão.

Além da compulsão sexual, as pessoas podem experimentar ainda alguns outros tipos, como por exemplo: sexual, alimentar, trabalho (workaholic), compras, compulsão por atividades físicas (vigorexia); compulsão por jogos.

O que não é Compulsão alimentar?


Quando falamos em compulsão alimentar, é muito comum as pessoas confundirem a gula, o exagero eventual com a compulsão. Por isso, entenda que não é compulsão alimentar:

- Gostar de comer bem;

- Qualquer tipo de exagero ou alteração na rotina alimentar EVENTUAL, como por exemplo, comer demais no almoço de natal ou na ceia de ano novo ou no churrasco da firma; exagerar no chocolate na páscoa;

- Comer demais depois de um período prolongado de jejum ou atividade física (não é saudável, mas não chega a ser considerado compulsão);

- Preferência por certos tipos de alimentos, mas sem deixar de comer outros, mesmo que não goste tanto.

Quais os sinais de que existe uma COMPULSÃO ALIMENTAR?

  • Exageros: Comer muito, mesmo sem fome ou depois de sentir-se satisfeito;

  • Comer rápido e engolir pedaços inteiros de alimento (insensibilidade);

  • Compulsões ocorrentes pelo menos 2 vezes por semana;

  • Alimentar-se escondido;

  • Acordar à noite para comer;

  • Entre os sintomas emocionais: Arrependimento, culpa, vergonha e constrangimento após a compulsão;

  • Baixa autoestima e distorção de imagem;

  • Inibição e fuga de eventos sociais.

  • Pouca preocupação com o excesso de peso.


O que causa a compulsão alimentar?


Assim como outras doenças emocionais, a Compulsão alimentar é Multicausal – Varia de pessoa para pessoa. Na clínica, sempre observo a associação de sintomas para ajudar a pessoa a entender o que causa sua compulsão.

Recapitulando o que foi dito acima, quimicamente no cérebro pode haver um desequilíbrio na produção de dopamina e o córtex pré frontal subdesenvolvido. Dopamina é o neurohormônio do prazer. Quando ela está em níveis regulares, a pessoa vai sentir prazer de forma saudável no momento “certo”. Assim, como todo execesso esconde uma falta, a principal causa da compulsão alimentar é o vazio existencial, uma necessidade emocional muito forte, normalmente inconsciente.


Ar, Água e alimento são as fontes primárias da vida na terra. Quando existe uma compulsão por alimento, entendemos que a pessoa está buscando desesperadoramente pela vida. Está buscando conforto, segurança, proteção e… vida… nos alimentos.

Lembre-se: “Onde eu foco, expande.”, a tentativa de bloquear, controlar, impedir o apetite, geralmente tem o efeito contrário e potencializa muito mais o “desejo”. Quando a compulsão está ligada a satisfazer esse desejo, geralmente significa que há muito mais necessidade de autoestima do que pelo prazer físico, propriamente dito. Todo execesso esconde uma falta.


Como fruto disso, surge a compulsão, uma necessidade incontrolável de ingerir grandes quantidades de comida para tentar tapar esse vazio. Porém, ele raramente tem o efeito esperado. Na verdade, piora as coisas, pois normalmente gera arrependimento, culpa e vergonha por não manter o controle. Assim, se permanecer sem tratamento, a compulsão alimentar se torna um ciclo vicioso de exagero e autopunição sem fim.

Então, entenda algumas características que contribuem para a existência dessa compulsão:

– Compulsão é um sintoma de um comportamento, um hábito. Se pudéssemos traduzir o raciocínio seria mais ou menos assim “Existe uma (ou mais) emoção muito forte dentro de mim que eu não consigo lidar e, então, como a pressão é muito grande, minha mente encontra uma “saída”, compensando essa pressão/ falta pelo alimentos.”

– Comer é prazeroso. Alimentos, especialmente gorduras e carboidratos têm efeito calmante e causam a liberação deneuro-hormônios de prazer e bem estar. Uma pergunta válida para quem busca prazer nos alimentos: O quanto tem se permitido ter outras fontes de prazer na vida?

– Quem cala, come: Toda e qualquer emoção que não é analisada, colocada para fora vai ter um efeito no corpo. Por isso, quem não fala sobre o que está sentindo (falar, movimento de abrir e fechar a boca), acaba comendo para aliviar. O próprio ato de mastigar, o que quer que seja, alivia. Ou seja, quanto maior a dificuldade de expressar, falar sobre os sentimentos, maior é a tendência do comer compulsivo.

- Equivalência Física: Nosso corpo é programado para buscar o equilíbrio, portanto, o peso emocional que vai ficando preso na alma dos sentimentos não expressados, precisa encontrar equivalência no corpo. Qual a melhor forma de ganhar peso se não for comendo?

– Aprendizado na infância:A compulsão associada com alguma das outras causas também pode ser um aprendizado que foi sustentado ao longo da vida. Se quando você era criança os adultos calavam sua boca com comida, doces, balasé bem provável que esse comportamento se sustente na vida adulta. E isso é bem mais sério, já que existe uma satisfação inadequada de necessidades: pois outras necessidades do bebê como cocô, frio, sede, sono, dentinho crescendo, medo, tudo é saciado com comida). Vai gerar uma pessoa que não sabe lidar com suas necessidades e busca resolver qualquer desconforto através dos alimentos.

O que mais está envolvido no ambiente da compulsão?


Além das causas que mencionei acima, ainda há alguns fatores que normalmente estão presentes quando há compulsão alimentar

- ALIMENTOS VICIANTES - Açúcar, Gorduras, conservantes, aromatizantes e sabores artificiais. Estudos apontam que ingerir chocolate ao leite promove sensações aproximadas aos efeitos de medicamentos relaxantes.

- Obesidade. Nem sempre a obesidade é uma consequência da Compulsão. Pode acontecer o contrário: a pessoa engorda se houver muita pressão e cobrança para emagrecer. A comida vira uma fuga, uma saciedade.

- Ansiedade e Depressão;

- Disturbios de Imagem: a pessoa se sente inadequada, imperfeita ou desajustada. Se um dos problemas citados acima existir, ela pode desenvolver hábitos alimentares inadequados e não saudáveis.

Toda pessoa compulsiva tende a ter dificuldades de gerenciar prazos e compromissos, principalmente se exigirem esforço e dedicação. Ou seja, se existir a obesidade, a busca por emagrecer pode piorar a compulsão, principalmente porque um Compulsivo quer resultados rápidos, é quando ele vai partir para as dietas restritivas e “milagrosas”. Como não existem milagres quando se trata de saúde, a conta não fecha: São 10, 20, 30 anos comendo sem controle e quer resultados em 15 dias… isso é incoerente. Então, ao primeiro sinal de falha, advinha onde a pessoa vai buscar consolo, conforto e refúgio? Isso mesmo, naquele alimento super calórico que ela estava habituada a comer...

3) Como tratar a compulsão Alimentar?

Embora a compulsão alimentar seja um transtorno emocional tanto quanto físico e, portanto, pode ser tratado com medicamentos receitados por psiquiatras, entenda: Não existe remédio para compulsão. Remédio só ameniza sintoma. Pode tirar o apetite, mas não supre o buraco na alma. Como o buraco permanece, existe uma grande chance de tentar preencher com qualquer outra coisa (trabalho, sexo, drogas, álcool). Isso é bastante visível nos casos de cirurgia bariátrica, por exemplo.

- A única cura para a compulsão alimentar é tratar as emoções… É olhar para a parte escondida do Iceberg e resolver o que precisa ser resolvido ali. Talvez, essa compulsão existe pra te ensinar algo, pra te levar justamente a entender a mente e como ela se associa com a compulsão. É preciso de um processo de autoconhecimento. Lembre-se: “Onde eu foco, expande.”, a tentativa de bloquear, controlar, impedir o apetite, geralmente tem o efeito contrário e potencializa muito mais o “desejo”. Quando a compulsão está ligada a satisfazer esse desejo, geralmente significa que há muito mais necessidade de autoestima do que pelo prazer físico, propriamente dito.

- Além de tratar as emoções (que são internas), é preciso agir sobre o externo, o seu ambiente. Se sua mente busca conforto, segurança, proteção e… vida nos alimentos. Entenda que pessoas, situações, lugares estão te tirando isso. O que está acontecendo no seu relacionamento que se sente insegura? Você pode tomar o remédio que for, mas se não confia no seu marido, não vai resolver a compulsão. Se se sente subestimada no trabalho, humilhada, podada, também não vai resolver.

Crescer, amadurecer, assumir a vida adulta. Se na nossa infância, nossos adultos supriam nossas necessidades e desconfortos com comida, enquanto tivermos uma criança chorona e assustada dentro da gente, ela ainda vai achar que a comida vai resolver o problema. Daí, quando não conseguimos lidar com situações adversas na vida, buscamos uma compensação... é um comportamento subconsciente (lembra, imaturo, inocente e impulsivo?) pra não ter de encarar a dificuldade que está bem à frente. Decida encarar o que tiver pela frente de peito aberto, decida assumir sua vida, seja homem e mulher o suficiente para resolver seus próprios problemas e a necessidade incontrolável de alimentos, diminuirá drasticamente.

Fisicamente falando, algumas dicas importantes:


- Coma alimentos ricos em fibras e proteínas: Priorize comer frutas, verduras, hortaliças e gorduras boas, pois são opções que te deixarão saciado por mais tempo.

- Beba água. É uma dica valiosa e que serve para manter seu corpo saudável. Para quem tem compulsão alimentar, essa é também uma forma de controlar a fome e desejo.

- Pratique alguma atividade física: Os exercícios físicos ajudam a controlar a compulsão alimentar, pois fornecem uma sensação de prazer e bem-estar. É importante manter a atividade física na rotina para que a compulsão alimentar seja controlada.

- Ame e se ame. Tenha prazer através do amor, a necessidade de alimentos diminuirá.

Por fim, se você percebe que, mesmo com todas essas dicas ainda assim é difícil lidar com a compulsão alimentar, a Hipnoterapia é uma forma muito segura de tratar esse turbilhão de emoções e te ajudar a lidar com a compulsão de maneira madura e equilibrada, bem como ajudá-lo a retomar o comando da sua vida de uma vez por todas e viver uma vida feliz e abundante.